COM APOIO NO NITT, PESQUISA DO CERTBIO É REGISTRADA, GANHA FORÇA E APLICABILIDADE

Os números envolvendo pesquisas e patentes na Paraíba crescem a cada dia, mas mais importante que isso é o resultado do crescimento: aplicabilidade dos estudos na vida cotidiana. Dentre as 80 patentes registradas pela UFCG no ano passado, uma pesquisa sobre Biossensores, realizada pelo Laboratório de Avaliação e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste (CERTBIO), da Universidade, é um exemplo.

Sob coordenação do professor Dr. Marcus Vinícius Lia Fook e liderada pelo professor Márcio Cardoso, o estudo se intitula BIOSSENSOR ELETROQUÍMICO COM IMOBILIZAÇÃO DA UREASE EM MEMBRANAS POLIMÉRICAS. A ideia é mais simples que o termo científico, e sua aplicabilidade, bem mais requisitada do que se pode imaginar. Daí sua importância. A pesquisa gira em torno da identificação de um componente químico no corpo, no caso a ureia, amostra essencial para diversos procedimentos cirúrgicos e hospitalares, além de prevenção de doenças, especialmente relacionadas ao funcionamento dos rins. Os pesquisadores da Universidade criaram fitas com sensores, uma espécie de receptor, onde se deposita a amostra colhida e, utilizando um equipamento simples, procede-se à analise, aquisição e referência de dados.

“Já existe algo assim para verificação do nível de glicose, e até podemos usar isso como explicação do que estamos criando, já que é bem comum no mercado. Só que para identificar a ureia, não é tão fácil assim ultimamente, são requeridas tecnologias específicas. Leva-se alguns dias, o processo é mais trabalhoso. E com a aplicação do trabalho que estamos desenvolvendo, esse resultado passa a ser obtido de forma imediata, além de ser mais barata e acessível também”, explicou Márcio, que coordena os trabalhos relacionados a biossensores no laboratório.

A pesquisa, no entanto, é mais antiga: começou desde 2013, segundo a orientação do Professor Dr. Ramdayal Swarnakar (in memorian).

Mas por que somente no ano passado ocorreu seu registro? O coordenador também explica.  “Costumamos publicar, divulgar os trabalhos, mas não dávamos o devido valor a patenteá-lo. Sempre foi algo visto como moroso, burocrático e complicado. Além de que, quando tentávamos investir um pouco nisso, não ficavam claros os prazos, custos, e deixávamos escapar as oportunidades por detalhes. O NITT veio para desmistificar tudo isso e para nos orientar. Através de constantes palestras, e do contato próximo com o Núcleo e sua coordenação, passamos a ver que o processo é bem mais acessível. Além de garantir maior segurança ao projeto de pesquisa”.

Uma vez registrada a solicitação de patente, em termos leigos significa progresso no sentido de colocar o produto para uso da sociedade. O sensor de ureia, por exemplo, já foi testado em algumas oportunidades no ano passado, sempre com resultados satisfatórios, atendendo ao que se pretende com sua criação. Este ano, os seus desenvolvedores lançam objetivos mais altos: querem fazer testes em escalas realmente relevantes e atestar, definitivamente, a eficácia do dispositivo. É mais um passo essencial no caminho para sua efetiva aplicação e usabilidade.

“O pesquisador trabalha para atender à sociedade. Ao SUS [Sistema Único de Saúde], por exemplo. Então todo esse processo de aplicação, que passa inevitavelmente por registrar o produto, está nos nossos objetivos”, comentou a pesquisadora Lívia Marques, umas das intermediadoras da pesquisa e das responsáveis pelos trabalhos no CERTBIO.

O registro da pesquisa envolvendo a identificação de ureia é o ponto de partida para muitas outras já engatilhadas no laboratório.

“Temos várias. Somente com sensores, são algumas. Há, por exemplo, uma pesquisa com sensores capazes de medir a pressão nos olhos, algo essencial para evitar problemas graves, como deslocamento de retina durante processos cirúrgicos. Esse trabalho, feito com a participação de uma equipe multidisciplinar, também teve grande avanço no último ano, com testes práticos inclusive. O fato é que, com o auxílio do NITT, registramos uma primeira e percebemos que a coisa não é tão complicada. Podemos fazer”, finalizou o coordenador da pesquisa.

Em 2017, apenas no Certbio – um dos vários laboratórios existentes na UFCG –, foram registradas 13 pesquisas. Em 2018, três patentes já foram submetidas até o momento.

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